Ao longo da sua história, a actividade mecenática tem sido um apoio fundamental à criação de obras musicais, muitas das quais sobreviveram ao tempo e continuam hoje a inspirar tanto melómanos como compositores e outros artistas. Só para dar um de inúmeros exemplos, o Requiem de Mozart, uma das mais geniais e famosas partituras de sempre, nunca teria existido sem o financiamento do mecenas que a encomendou.

Numa altura em que a arte precisa do apoio de todos, queremos dizer-lhe que pode também tornar-se mecenas e assim contribuir para que a criação musical conserve e desenvolva a sua vitalidade, em benefício dos artistas e de todos os que amam a música.

Para tal, basta que preencha a sua declaração de IRS consignando 0,5% do imposto liquidado à Fundação Casa da Música. Poderá fazê-lo enquanto ouve uma playlist que preparámos para si, baseada em obras musicais de grande relevância que viram a luz do dia devido à generosidade de grandes mecenas. Cada uma delas surge aqui acompanhada da respectiva história, documentando a extraordinária importância da actividade mecenática na construção do nosso património musical.


mecenas ELIZABETH SPRAGUE COOLIDGE (1864-1953)


Elizabeth Sprague Coolidge foi uma filantropa norte-americana que fez um percurso na juventude também como pianista. Herdeira de uma família de grandes posses, ofereceu o edifício Sprague Memorial Hall à Universidade de Yale, criou um fundo de pensões para a Sinfónica de Chicago e esteve na origem do Auditório Coolidge da Biblioteca do Congresso, fundado em 1925. Encomendou música a personalidades como Stravinski, Prokofieff e Ravel. Criou um festival de música de câmara e apoiou diversos agrupamentos, entre os quais o Pro Arte Quartet, cujos membros lhe sugeriram a encomenda de uma obra a Béla Bartók. O Quarteto de Cordas n.º 5 tornou-se uma peça emblemática do compositor húngaro, escrito numa altura em que o seu estilo já encontrara a maturidade e o reconhecimento internacional. Os seus seis quartetos influenciaram figuras como Kurtág, Ligeti e Reich – este último virá a classificá-los como o melhor conjunto de quartetos desde Beethoven.


mecenas MITROFAN BELYAYEV (1836-1904)


Além de empresário herdeiro de um negócio muito bem-sucedido de venda de madeira, Mitrofan Belyayev foi um filantropo russo e tornou-se um generoso editor da música dos seus compatriotas. Os compositores por ele editados viram defendidos os seus direitos de autor, fora do país, com uma eficácia inédita até então – além de serem pagos bem acima da média. Tocou violino, viola e piano, mas acabou por dar largas à sua paixão pela música criando condições para o surgimento de verdadeiras obras-primas. Com a colaboração de Rimski-Korsakoff, fundou os Concertos Sinfónicos Russos, uma série dedicada à nova música de então. Uma das obras estreadas nessa série foi Scheherazade, a famosíssima suite sinfónica baseada nas Mil e Uma Noites, marcada pela brilhante orquestração e por sonoridades orientais. O final do século XIX russo, que teria sido menos rico sem as contribuições de Mitrofan Belyayev, viu assim nascer uma das suas obras mais notáveis.


mecenas MISIA SERT (1872-1950)


Pianista de descendência polaca, aluna de Fauré, musa de pintores como Toulouse-Lautrec, Pierre Bonnard e Eduard Vuillard, Misia Sert teve uma vida muitíssimo preenchida nos salões da alta sociedade e das artes de Paris. Foi uma das mulheres que financiou a carreira da famosa companhia Ballets Russes e permitiu ao empresário e seu amigo Sergei Diaghilev revolucionar a arte do bailado. Foi Misia quem lhe apresentou Debussy, tendo sido uma das primeiras pessoas a reconhecer o talento deste. Apenas 15 dias antes da escandalosa estreia da Sagração da Primavera, em Maio de 1913, um outro bailado acabou por passar quase despercebido. Mas o “poema dançado” Jeux, a última obra orquestral de Debussy, é também um marco da música do século XX. Anos mais tarde acabou por ser reconhecido como um dos seus maiores feitos, levando mais longe a expressividade pura por entre a forma nebulosa e a originalidade das harmonias.


Mecenas FRANZ VON WALSEGG (1763-1827)


Uma das obras mais famosas da história, o Requiem de Mozart não teria existido sem a encomenda de um aristocrata. Apesar das intenções retorcidas, fazendo-se passar por compositor da música que comprava, o conde Franz von Walsegg pagava bem pelos serviços dos compositores a quem recorria. Neste caso, porém, não foi tão bem-sucedido como esperava: a viúva de Mozart não permitiu que a autoria do Requiem deixasse de ser atribuída ao verdadeiro compositor, entretanto falecido. Walsegg encomendou o Requiem para o dedicar à sua jovem mulher recém-falecida. Uma obra emocionante que nos traz um Mozart no leito de morte, aos 35 anos, e que viria a ser terminada pelo seu aluno Franz Xaver Süssmayr.


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