Peter Eötvös é uma figura fundamental da música contemporânea e a sua associação à Casa da Música para dois concertos dos agrupamentos residentes é um verdadeiro acontecimento. Compositor, maestro e professor, a sua entrada precoce na Academia de Budapeste, aos 14 anos, teve como padrinho nada menos do que Zoltán Kodály. Conheceu também Ligeti e Kurtág ainda muito jovem, com os quais forma um círculo estético com linguagens muito diversas mas uma língua materna comum: Bartók, a grande referência húngara da primeira metade do século XX. 


Eötvös é um músico com esta linhagem nobre, e já dirigiu com grande sucesso o Remix Ensemble e a Orquestra Sinfónica. Segundo o próprio, a integração destes dois agrupamentos numa sala de concertos é uma grande vantagem, já que com eles “é possível interpretar tudo aquilo que se escreveu no século XX e nas primeiras décadas do século XXI. Nada está em falta.” 

Nestes dois concertos que celebram o 75º aniversário de Peter Eötvös, é o próprio que dirige os dois agrupamentos na interpretação de várias composições suas e dos seus compatriotas Kurtág e Bartók, incluindo também uma obra de Boulez.


"Fui muito apoiado por Karlheinz Stockhausen e Pierre Boulez, os dois mentores da minha vida que me ajudaram imenso, não só no aspecto mental mas pela possibilidade que me proporcionaram de trabalhar com eles.” A convite de Boulez, Eötvös foi director musical do emblemático Ensemble Intercontemporain entre 1978 e 1991, daí que seja considerado um dos principais intérpretes mundiais de música contemporânea, enquanto maestro. 


Assim, a sua presença nestes dois concertos como maestro é um motivo acrescido para não perder esta oportunidade. Uma das obras apresentadas em estreia nacional é The Secret Kiss, uma peça muito especial escrita para uma actriz japonesa, Ryoko Aoki, especialista em música e teatro Noh – um feito muito raro, uma vez que o teatro Noh é geralmente interpretado por homens. Outra será o Concerto para violino DoReMi, uma obra também muito recente que terá como solista Leticia Moreno. Esta representou um desafio e um jogo de palavras: “o que vou fazer com o dó, o ré e o mi?” Um fim-de-semana singular com uma grande referência da música dos nossos dias.

CONCERTO DE HOMENAGEM DA UNIVERSIDADE

DO PORTO A PAULO CUNHA E SILVA


Peter Eötvös direcção musical

Leticia Moreno violino

György Kurtág Petite musique solennelle 

(estreia em Portugal) 

Peter Eötvös DoReMi, concerto para violino 

e orquestra (estreia em Portugal)

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Béla Bartók O Mandarim Maravilhoso

A residência de Peter Eötvös na Casa da Música apresenta o artista húngaro na sua dupla qualidade de maestro e compositor e faz estrear em Portugal o Concerto para violino DoReMi. A solista é Leticia Moreno, que tem tido uma carreira meteórica desde que foi seleccionada como Echo Rising Star, em 2012, e se apresenta com o seu raríssimo violino Nicola Gagliano de 1762. O programa inclui obras dos mais célebres compatriotas de Eötvös: de György Kurtág, uma obra recente escrita para homenagear Pierre Boulez; de Béla Bartók, a música de um bailado macabro que causou grande escândalo quando estreou na Alemanha, em 1926.



23 Mar Sáb · 18:00 Sala Suggia

DÓ-RÉ-MI

Orquestra Sinfónica  do Porto Casa da Música



Peter Eötvös direcção musical 

Ryoko Aoki voz 

Victor Pereira clarinete 


Peter Eötvös Joyce, para clarinete 

e quarteto de cordas (estreia em Portugal) 

Peter Eötvös Steine

Peter Eötvös Secret Kiss, para voz e ensemble 

 (estreia em Portugal; encomenda Casa da Música, 

Gageego Ensemble, Ensemble Musikfabrik, 

Plural Ensemble, MUPA Budapest 

and Bunka Kaikan Tokyo) 

Pierre Boulez Domaines,

para clarinete e ensemble

17:15 Cibermúsica

Palestra pré-concerto

por Daniel Moreira

Peter Eötvös dirige obras suas que viram a luz do dia nos últimos dois anos e que exploram os diálogos entre um solista e um ensemble: é o caso de Joyce, em que é solista o clarinetista Victor Pereira, e do melodrama Secret Kiss, com texto em japonês interpretado pela actriz Ryoko Aoki. Esta obra acabada de estrear em Gotemburgo é uma co-encomenda da Casa da Música e terá aqui a sua segunda audição mundial. Escrita com o objectivo de homenagear Pierre Boulez no seu 60º aniversário, Steine é uma obra em que se poderá ouvir os músicos a transformarem pedras em instrumentos musicais. Do próprio Boulez é interpretada Domaines, uma peça emblemática que coloca o clarinetista a percorrer o palco para construir diálogos com diferentes grupos instrumentais.



24 Mar Dom · 18:00 Sala Suggia

O BEIJO SECRETO

Remix Ensemble Casa da Música



VER E OUVIR