Um compositor italiano está no centro do Música & Revolução 2021: Luigi Nono. Foi um dos nomes centrais no movimento das vanguardas musicais da década de 1950, ao lado de Boulez e Stockhausen, no contexto dos Cursos de Darmstadt. Mas o envolvimento político de Nono é também frequentemente mencionado e materializou-se na tentativa de ilustrar o sofrimento humano nas suas várias formas: guerra, fascismo, exploração do trabalho, sempre com uma nota de esperança mas sem conformismo.

A cidade de Veneza, onde nasceu, é outra marca da sua música: as cores, o mar, os sinos. Neste festival dedicado a Luigi Nono, Remix Ensemble e Orquestra Sinfónica contam com maestros especializados em música do século XX, Peter Rundel e Jonathan Stockhammer, e ainda com as vozes de Noa Frenkel e Christina Daletska. Os programas incluem obras de Schoenberg e Bruno Maderna, compositores que tiveram um papel importante no percurso de Nono.

23.04 sexta · 19:30 sala suggia

Música & Revolução · Ano Itália


ORQUESTRA SINFÓNICA DO PORTO CASA DA MÚSICA
JONATHAN STOCKHAMMER direcção musical


LUIGI NONO Variazioni canoniche sulla serie dell'op. 41 di Arnold Schoenberg

ARNOLD SCHOENBERG Sinfonia de Câmara n.º 2


É certo que um mundo novo se abriu para a música com Arnold Schoenberg, que estendeu as possibilidades do Romantismo ao extremo e inventou a escrita baseada em 12 sons de igual importância, o dodecafonismo. A Sinfonia de Câmara n.º 2 corresponde já ao último período criativo do compositor, no qual procura a síntese entre tonalidade e serialismo. Dentre as explorações posteriores do dodecafonismo destacam-se as Variações que Luigi Nono escreveu sobre a série de Schoenberg que deu origem à Ode a Napoleão Bonaparte.


24.04 sábado · 12:00 sala suggia

Música & Revolução · Ano Itália


REMIX ENSEMBLE CASA DA MÚSICA

PETER RUNDEL direcção musical


BRUNO MADERNA Serenata n.º 2

ARNOLD SCHOENBERG Sinfonia de Câmara n.º 1, op. 9


Datada de 1906, a 1.ª Sinfonia de Câmara de Arnold Schoenberg ficou para a história ao apontar para sonoridades instáveis cada vez mais assumidas. Novidade foi também o número de músicos requeridos: em vez dos habituais 70 ou 80 instrumentistas, Schoenberg decide compor para uma orquestra de apenas 15 elementos, uma reacção às formações gigantes do Romantismo. Já a delicada Serenata de Maderna, de 1954, é exemplo de abordagens mais tardias ao dodecafonismo, demonstrando todas as suas possibilidades expressivas numa obra de grande lirismo. A direcção está a cargo do maestro titular do Remix Ensemble, Peter Rundel.


25.04 domingo · 12:00 sala suggia

Música & Revolução · Ano Itália


REMIX ENSEMBLE CASA DA MÚSICA
PETER RUNDEL direcção musical

WORTEN DIGITÓPIA electrónica

NOA FRENKEL contralto

CHRISTINA DALETSKA contralto


LUIGI NONO Guai ai gelidi mostri, para dois contraltos, ensemble e electrónica


Luigi Nono transportou o seu inconformismo para as obras que compôs. A sua década final (1980) demonstra o amadurecimento da inclinação que sempre teve para a música enquanto ruptura. Guai ai gelidi mostri foi escrita nesse período e, embora resulte de experiências fascinantes em termos de composição e incorpore as palavras de grandes autores, pode ser simplesmente apreciada pelo seu mérito sonoro. Para a interpretar, o Remix Ensemble divide o palco com as contraltos Noa Krenkel e Christina Daletska, solistas habitualmente convidadas dos principais ensembles de música contemporânea da Europa.