Ano novo, tema novo para a temporada da Casa da Música. Desta vez, algo tão universal quanto a própria música: o amor. Será esse o foco do primeiro festival, If music be the food of love, apresentando já vários ciclos que nos irão acompanhar durante 2022. A retrospectiva da obra de Rebecca Saunders, Compositora em Residência, é um dos mais significativos, e arranca num encontro do Remix Ensemble com o Ensemble intercontemporain, que inclui também duas estreias mundiais. Por outro lado, o Ciclo Grandes Concertos Duplos começa por nos trazer Brahms e dois solistas de excepção, a violinista Baiba Skride e o violoncelista Alban Gerhardt. São de Brahms, também, algumas das canções que alimentam o primeiro concerto do Coro, a par dos símbolos do amor que povoam obras memoráveis de Messiaen. A Orquestra Barroca aborda o mesmo tema com música das grandes figuras do Barroco alemão, Bach e Händel, dividindo o palco com a soprano Rowan Pierce e o tenor Fernando Guimarães.

Não menos relevantes são os solistas presentes noutro concerto da Sinfónica: Steven Osborne no piano e Thomas Bloch nas ondas Martenot, permitindo-nos a rara oportunidade de ouvir um dos primeiros instrumentos electroacústicos da história, na interpretação da Sinfonia Turangalîla de Messiaen. O festival inclui a estreia de um concerto para famílias, Serena Serenata, recordando a tradição da canção napolitana numa peça de teatro musical. Logo no início do mês, o Ano Novo é recebido com um concerto dedicado a valsas, polcas e aberturas de ópera. O Curso Livre de História da Música explora as grandes partituras portuguesas do século XX, sob a orientação de Fernando Lapa, numa altura em que também o Sond’Ar-te Electric Ensemble nos visita com um programa inteiramente nacional. Não perca ainda as actividades para os mais novos, de oficinas a concertos, e as propostas na área da música popular com Valéria Carvalho, Nuno Lanhoso e Anavitória.

ORQUESTRA SINFÓNICA DO PORTO CASA DA MÚSICA

LEOPOLD HAGER direcção musical


EMIL VON REZNICEK Abertura Donna Diana

EMILE WALDTEUFEL Valsa dos Patinadores

RICHARD EILENBERG Petersburger Schlittenfahrt, op. 57

FRANZ VON SUPPÉ Abertura da ópera Cavalaria Ligeira

JOSEPH LANNER Tarantela – Galopp, op. 125

RICHARD HEUBERGER Abertura da opereta Der Opernball

JOHANN STRAUSS II Abertura da opereta O Barão Cigano; Éljen a Magyar!; Perpetuum mobile; Trovão e Relâmpago; No Belo Danúbio Azul


O lendário maestro austríaco Leopold Hager regressa ao Porto para dar as boas-vindas ao Ano Novo. O programa apresenta vários êxitos da música que agitava os salões europeus do século XIX, com algumas das mais célebres valsas, galopes, polcas e aberturas. Para além de obras de Johann Strauss II, omnipresentes num programa desenhado à imagem dos históricos Concertos de Ano Novo da Filarmónica de Viena, podemos ainda ouvir um conjunto de peças apelativas imaginadas por compositores que brilharam em torno da mesma época: desde Joseph Lanner, um nome central das danças de salão vienenses, ao francês Émile Waldteufel, com uma famosa valsa inspirada nos movimentos ágeis dos patinadores invernais que se divertiam no Bosque de Bolonha.


O primeiro ciclo de concertos da temporada marca a abertura do Ano do Amor. “Se a música é o alimento do amor, não parem de tocar. Dêem-me música em excesso.”, escrevia Shakespeare em Noite de Reis. Não podemos garantir que aqui se conjure os amores não correspondidos através deste alimento das musas, mas certamente que as almas serão preenchidas por obras inspiradíssimas de compositores que marcaram a história, sem esquecer a música dos nossos dias.

ciclo piano fundação EDP


JOSÉ VIANNA DA MOTTA Balada sobre duas melodias portuguesas, op. 16

FRYDERYK CHOPIN Balada n.º 4 em Fá menor, op. 52

FRANZ LISZT Variações sobre um Tema de Bach, “Weinen, Klasen, Sorgen, Zagen”

FRYDERYK CHOPIN Doze estudos, op. 10

MAURICE RAVEL La valse


Mantendo a tradição, a Casa da Música convida uma jovem promessa para inaugurar o Ciclo de Piano. Natural da Maia e contando apenas 18 anos, Rodrigo Teixeira tem somado diversos prémios ao seu currículo, trabalhando com prestigiados professores. Neste recital, interpreta obras marcantes da literatura pianística, atravessando a reinvenção do gesto pianístico levada a cabo por Chopin e Liszt. De destacar ainda a Balada op. 16 de Vianna da Motta, provavelmente a obra mais interpretada deste compositor. O concerto termina com a prodigiosa versão para piano a solo do poema coreográfico La valse de Ravel, onde Rodrigo Teixeira pode explorar uma variadíssima paleta de cores.


serviço educativo · primeiros concertos (3 meses–6 anos)


JORGE QUEIJO direcção artística e interpretação 

SÓNIA BARBOSA dramaturgia 

ANA CONCEIÇÃO, BEATRIZ PRADA, BEATRIZ ROLA 

e CATARINA GOMES interpretação 

FACTOR E! interpretação 


O que é o amor umbilical? Que cordão é esse que nos mantém ligados muito depois de ser cortado? Viagem ao umbigo de cada um e demonstração de como ele nos liga àqueles de quem gostamos, este concerto para bebés é também representativo da essencialidade do amor maternal e paternal. Mostra-nos, por outro lado, como a vida nos pode dar mais cordões e ligações, pondo-nos perante o paradoxo do umbigo enquanto símbolo do egoísmo e da união ao outro.